segunda-feira, 10 de outubro de 2016

ANJOS SURGEM

Minha família tem sido tudo para mim, minha força, meu apoio, minhas pernas...
A família do pai do baby descobriram também e são pessoas maravilhosas, estou muito agradecida por tudo... A tia do baby Miguel conseguiu encaminhamento para um hospital melhor o qual consultei na semana passada  fui encaminhada para o alto risco, fiquei assustada quando ouvi a palavra alto risco mas depois entendo que é para ter um atendimento melhor e que no final tudo irá se resolver.
O pai do Miguel continua irredutível, na verdade não nos falamos mais, gostaria muito que ele entendesse que precisamos pelo menos dialogo que devemos respeitar um ao outro mas nada faz com que ele entenda isso.
Enfim a vida segue, hoje 10/10/2016 estou de 20 semanas e 6 dias, a próxima ecografia terei o diagnostico final sobre a placenta previa, peço a Deus que nos abençoe e que de tudo certo...
Um dia vou olhar para trás e até rir disso tudo, hoje agradeço até mesmo toda essa dificuldade pois é dela que está surgindo uma nova Renata, tenho uma força que não imaginava, estou dando valor a quem realmente merece e estou gerando uma vida, o amor da minha vida.  

Eu sou homem mamãe

Eu e o pai do baby discutimos muito, sei que o melhor é não insistir mas não consigo. Uma certa noite me estressei bastante e senti uma cólica muito forte e foi assim a noite toda.
Assim que amanheceu corri para o hospital, tive a maior surpresa do mundo, fui fazer a ecografia para ter a certeza que estava tudo bem e a primeira coisa que me aparece foi o piu piu do meu danadinho, SIM É UM MENINO... Meu coração transborda de tanto amor...
Depois da alegria vem mais um susto já que nem tudo são flores, placenta prévia =( para quem não sabe o bebê deve fica do lado de baixo do útero e a placenta do lado de cima no meu caso está revertido, mas até vigésima semana isso pode mudar, o que tenho que fazer é medicação, cuidado e FÉ EM DEUS... 

A verdade

Todos os dias me prepara para contar para minha família mas não dava, o problema não era ter o filho mas sim ter um filho solteira, porque meus planos nunca foram esses, o desejo dos meus pais  para mim também  não eram  não queria decepcionar a ninguém.
Após os 14 dias de atestado voltei ao trabalho e devido a uma discussão e um exame perdido minha irmã mais velha acabou desconfiando me pressionou bastante e acabei contando, a reação dela não foi tão assustadora, claro que fez mil e uma perguntas e claro que preferi não contar ainda sobre a atitude do pai do baby..
Dai para frente fui pressionada à contar para meus pais, mas não conseguia.. até que um dia minha mãe acha o exame nas minhas coisas mas não me fala nada, esperou para que eu falasse, guardou com ela toda essa agonia até que um dia não aguentou mais e procurou minha irmã, pedindo para que ela conversasse comigo para ver se eu contava, pedi para ela afirmar e que quando saísse do trabalho iria conversar com ela... Chega o fim do expediente, não tinha mais pernas, quando cheguei em casa minha reação foi chorar, a minha surpresa foi a melhor reação possível, sempre soube que tinha pais perfeitos mas não imaginava que eram tanto, me senti leve..   

O medo surge

No dia 07/7/2016 seis dias após o beta positivo fui à primeira consulta de pré natal, ouvi o coração do meu pequeno baby ele era apenas uma bolinha pulsando não sabia se chorava eram mil coisas se passando na minha cabeça, o pai do baby falava que não era vida ainda, era apenas duas células! Para mim já era vida sim, a vida do meu filho, do meu amor!!
Logo veio o diagnostico assustador, um hematoma e descolamento de placenta, repouso, medicação e principalmente FÉ EM DEUS.
Sai do hospital e fui para um praça próxima , não tenho como descrever o que estava sentindo, ali me encontrava com medo, desamparada, chorei bastante para aliviar um pouco.. Ainda não tinha contado para a minha família, respirei fundo e  fui para o escritório, resisti ao repouso, contei à um amigo da família que é médico  o qual me alertou sobre a gravidade do problema então decidi tirar os dias de repouso 14 dias, chorei, me desesperei por ser um período bem corrido no escritório juntei, levei tudo para tentar trabalhar em casa, fingi uns dias de ferias já que ainda não tinha contado, dormia e acordava chorando, o chuveiro era meu alivio, olhava para minha família e me sentia a pior pessoa do mundo, não achava justo decepcioná-los tanto, meu coração estava em pedaços, meu corpo estava reagindo, sentia enjoos, fraquezas e muita cólica e o meu psicológico nem existia mais! 

Vou seguindo

Hoje me encontro grávida sem nenhum apoio do pai do meu filho, estou aprendendo a valorizar uma mãe principalmente "mãe solteira" sou julgada, questionada, escuto coisas que me estraçalham por dentro, respiro e sigo em frente.
Pior que não ter apoio do pai do meu filho é ter a rejeição, até entendo que homens não tem o mesmo sentimento que mulheres, para ele só é filho depois que nascer depois do DNA, simmm depois do DNA, não me sinto envergonhada em dizer isso hoje em dia é bem comum esse tipo de desconfiança porém a desconfiança é dele e não minha, não tenho dúvidas alguma a respeito.
Vou seguindo sem amigas que sempre estiveram comigo, confesso que estou super decepcionada pois esperava mais da nossa amizade, não cultiva amizade de um mês, um, dois anos mas sim 18 anos, quando a gente se encontra em algum tipo de situação é que tem a certeza de com quem podemos contar, talvez eu teria a mesma atitude vai entender... Diante essa situação eu prefiro me afastar de vez, porque tenho que estar próxima de pessoas que estão dispostas a estarem comigo apenas na alegria? Não que eu esteja triste, volto a dizer estou feliz por ter um filho porém triste com a situação.
Em meio tantas dificuldades Deus me mostrou o quanto tenho uma família maravilhosa, não tenho como agradecer a eles por tudo, apenas peço perdão por não ter dado o valor que eles mereciam e me arrependo de ter trocado momentos com eles por momentos com pessoas que eu não tenho significado alguma a elas mas como se diz é vivendo e aprendendo...