
Uma das maiores dores é a da perda do que poderíamos ter sido, se não tivéssemos feito mudanças.
Na correria do dia-a-dia pensamos que já estamos em outra, que o passado ficou para trás.
E, quando menos esperamos, a dor da perda sobe como um vulcão, explode e nos mostra como está viva, forte, pungente.
Muitos não se permitem experienciar a dor, deixar que ela se manifeste. Abafam-na para não sofrer mais. A dor se torna insuportável.
É uma atitude complicada, que parece resolver, mas que na verdade só
adia. Tudo o que ocultamos só nos complica, mais tarde se volta contra
nós.
Outros vivem só lamentando suas perdas, lembrando só os momentos felizes, reinventando o passado.
Vivem afundados nas lembranças como num pântano.
Quanto mais lembram, mais afundam, mais lamentam as perdas, mais
idealizam as situações, mais se culpam e culpam os demais pelos
fracassos e menos consegue modificar o presente.
Uma atitude madura é
reconhecer a dor, permitir que ela venha a tona, se expresse, sentir a
dor, chorar, rever pessoas mentalmente, carinhosamente.
Passada e explosão emocional, é importante mapear a dor, as situações que a causam, as pessoas envolvidas.
Procurar compreendê-la como manifestação da nossa complexidade, busca, contradições, perdas, desejo de realização.
E tentar aceitar de forma mais autêntica tudo que significou esse
passado, com suas alegrias e tristezas, como uma parte rica das nossas
vidas.
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